22 Fev
Carnaval,sonhos e fantasias
Escrito por Equipe Mundo Diversidade |
Lido 426 vezes | Publicado em Matérias
 
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Mais um carnaval que está indo embora deixando para trás sonhos e fantasias, para até
o próximo ano, na cabeça do sonhador que gasta fortunas para
viver esse momento mágico.

Na minha infância via os carnavais com seus corsos, poucos
foliões, mas, muita alegria. A festa se resumia apenas ao
carnaval de salão, no clube da cidade, Pombal, ternura
nordestina, e os desfiles em carros abertos, normalmente um
tambor com água para que seus ocupantes pudessem molhar
os pedestres que ficavam nas calçadas olhando, e também
participando daquela festividade.

Sai da cidade pequena, fui para o grande centro, no caso a cidade
de Recife, com suas avenidas e pontes, onde o carnaval tinha
um colorido especial com seus blocos e maracatus, orquestras
de frevos e seus passistas, era admirador do bloco do São José,
do bairro do mesmo nome, aonde fica localizado o mercado São
José, próximo ao centro do Recife e ao marco zero, encontro dos
foliões. Estudei lá, na Capital pernambucana até 1973, deixei
para trás três grandes amores, o glorioso Santa Cruz, de tantas
glorias, a faculdade e a alegria de um povo que sabia festejar seu
carnaval até mesmo da adversidade.

Em São Paulo pude conviver com uma nova realidade, dentro
dela o carnaval paulistano com todo seu gigantismo e empenho,
a tradição dos clubes e escolas de samba fazia e faz a alegria
de um povo que não se cansa, incansável nos seus ideais e
objetivos. Os desfiles antes nas avenidas São João, Tiradentes,
depois de 1993, data da inauguração do Sambódramo do
Anhembi, na gestão da prefeita Luiza Erundina, paraibana, o
paulistano passou a ter mais conforto para assistir ao desfile da
sua escola preferida, principalmente depois da ampliação pelo
prefeito Paulo Maluf, em 1996.

Nesse período estive no Rio por várias vezes para ver o desfile
maior do carnaval brasileiro, a evolução e o crescimento da
cidade e o gigantismo do carnaval também fez os desfiles
passarem por vários palcos, sendo que a avenida Presidente
Vargas recebesse essa festa por muito tempo, dois anos na
avenida Presidente Antonio Carlos, motivado pela construção do
metro carioca, e em seguida para avenida Marquês de Sapucaí,

antes mesmo da implantação do Sambódramo, Passarela
professor Darcy Ribeiro, cuja inauguração ocorreu em 1984, pelo
prefeito Jamil Haddad. O Sambódramo carioca, projeto do grande
arquiteto Oscar Niemayer, foi completado e reinaugurado em 12
último, pelo prefeito Eduardo Paes e a presença histórica do seu
criador, Oscar Niemayer, hoje com 104 anos de idade.

O carnaval não é apenas espaço físico, tem toda uma história
musical e cultural. No carnaval pernambucano a festa se
agigantou, em 1978 foi criado o bloco Galo da Madrugada, no
mesmo bairro São José e seu mercado municipal, tendo, esse
ano, saído às ruas do Recife com 2 milhões de participantes. Os
Bonecos de Olinda dão outra mostra de participação popular com
seu arrastão carnavalesco.

Em salvador os foliões se superam atrás do trio elétrico, invenção
do Dodô(Antonio Adolfo Nascimento) e Osmar(Osmar Macedo),
cuja alegria é patrocinada principalmente pela energia das
insuperáveis rainhas da alegria e beleza baiana, Ivete Sangalo e
Claudia Leite.

Rio e São Paulo são protagonistas de espetáculos só comparáveis
a grandiosidade do seu povo, com escolas apresentando luxo e
beleza aos amantes dessa festa popular, imortalizada por grandes
compositores que fizeram e fazem a alegria do nosso Brasil.
Para resumir a lista dos grandes nomes do mundo musical,
tivemos quatro figuras que representam muito bem essa
constelação de astros.

O Lamartine Babo, 1904/1963, com seus hinos aos clubes
cariocas, e suas marchas, marcaram profundamente o memória
de todos nós. Ary Barroso,1903/1964, com toda sua criatividade
musical, se tivesse composto apenas a Aquarela do Brasil já teria
justificado sua presença no mundo musical, um dos maiores e
melhores compositores da MPB de todos os tempos.

Carlos Alberto Ferreira Braga, Braguinha, ou simplesmente João
de Barros, 1907/2006, fez músicas inesquecíveis, As pastorinhas,
em parceira com Noel Rosa, Carinhoso, uma composição em
conjunto com Pixinguinha, duas músicas eternamente lindas, até
hoje fazem a cabeça de todas as gerações.

Noel Rosa, 1910/1937, assim como Castro Alves, morreu
jovem, deixando uma obra invejável, tanto na quantidade com
na qualidade dos sambas que compôs, Último desejo, Palpite
infeliz, Antonico, foram canções eternas de um compositor de
grande versatilidade e poder de criação, desenvolvendo temas
consagrados pelo grande público, tido como um dos maiores
compositores da nossa MPB.

Hoje 21 de fevereiro de 2012, terça-feira, depois da última
escola passar na avenida Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro,
percebo que realmente o tempo fez os ritmos se transformarem,
o próprio samba tem outro ritmo, com introdução de novos
instrumentos na bateria das escolas, entretanto, a alegria se
mantém viva, a juventude continua a ser o principal ingrediente
da festa, a música a proporcionar calor e energia aos foliões
dispostos a viver até o último minuto de mais um carnaval de
muito nível.
Genival Torres Dantas

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