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"Momento mágico!" | Imprimir |
( 1 Voto )
Escrito por Gabriel Prado   
Qua, 24 de Fevereiro de 2010 13:27

 

 

Não tinha completado ainda os meus 7 anos. Era uma ensolarada tarde de sábado e meu pai havia me levado ao clube no qual sua empresa era associada.
Sentado a beira da piscina, com um sunga amarela do He-Man ( heróis das telinhas naquela época), aparentemente esquecido, mas me sentindo extremamente confortável, e de tempos em tempos atingido pelo olhar soberano de meu pai, que tomava a sua cerveja com amigos e ao mesmo tempo se assegurava que tudo estava bem e dentro do seu campo magnético, ali dento deste cenário que tudo aconteceu, foi ali que fui surprendido por aquele sentimento.
A sensação de que o peito se alargava e alguma coisa vaga como um segredo remoto, um sopro criador, algo que aguçava os meus sentidos e me fazia sentir como era  estar "entre ele". O corpo bambeou, ficou mole. A imagem daquele "menino homem", como seus aproximados 18 anos, olhos verdes corpo esguil e definido me fez escorregar por entre as bordas da piscina, me adentrar na água e ficar ali com meus olhos, imaginando tatear os vãos, as sinuosidades daquele corpo elástico.
Quanto tempo durou? Talvez segundos, minutos. Até o meu rosto começa a arder, a cabeça estontear, a respiração ficar presa. Eu não me sentia mais protegido. Nem pelo olhar do meu pai que agora me parecia solene, quase acusador, como se enxergasse aquela luz no meu peito.
Na volta pra casa, meu pai queria saber o motivo do meu silêncio. Fingi estar com sono, afinal, como explicar o que nem eu sabia?
A certeza que eu tinha é que houverá um acontecimento.Algo que havia me tornado, de certa forma, diferente, que mudaria o meu modo de olhar. Eu não conseguia naquele momento definir a coisa. De tantas pontinhas que ela tinha, havia uma divisão entre as prazerosas e densas, tão densas que eu conseguia apalpá-las nas pontas do meu corpo e as proibidas, perigosas.
Quase todos os gays e lésbicas passarm por este momento mágico, seguido por certo desconforto e pelo sabor de culpa, como se tivessemos adentrando um terreno intérdito ou se manipulassemos objetos inflamáveis.
Enquantos os garotos e garotas Heterosexuais descobrem cedo que devem se orgulhar disso, nós "gays", por sua vez, temos a tendência de ocultar a anunciação e esquecemos desse momento mágico. Lembramos com facilidade do primeiro toque, da primeira transa, mas raramente nós recordamos da primeira de todas as lembranças.
Sapatinhas, hehehe, por acaso se lembram daquele momento incocente na qual você sentiu que sua vida jamais seria a mesma?

Beijo e me liga !!

 

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