O site do senado (senado. gov.br) está promovendo uma enquete eletrônica sobre o PLC 122/2006, que estabelece punição para discriminação contra homossexuais. Desde que a enquete apareceu no site iniciou-se uma cruzada via internet, pelo direito de ofender a comunidade GLBT.
Lembram da Dona Rorô! Aquela que quase perdeu o direito de clinicar meses atrás porque oferecia em seu consultório "tratamento para homosexualismo". Sim, aquela pessoa genial. Ela mesma!Em seu blog ela descreve o seu temor caso a leia seja aprovada (com razão né?). Pois bem, ela disse caso a lei fosse aprovada, seria “O início da Ditadura Gay no mundo!”.
Concordo com o jornalista Mario Prata ao dissertar sobre o assunto em sua coluna no jornal " Estado de São Paulo ". A cidadã acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week, onde ocorrem as reuniões secretas, e tomarão o poder.
Imagine só? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Se Dona Rorô exagerou leia abaixo os comentários da cidadã cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”
Uau! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto seria da casta dos Discretos? Os Sarados da casta da "Barbies", teríamos também a casta das sapatas, a casta das "Ladies" e os lutadores de Jiu Jitsu viveriam de esmolas, seriam a poeira formada pelo "bate cabelo" das Drags? Quanta imaginação...
Assim como “Prata”, até entendo o temor destas pessoas . Afinal, se pegarmos como exemplo o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!
Por fim, as minhas opiniões acerca do tema homofobia sempre causam frisson, mas não posso jamais deixar de comentar este assunto. É um tema no qual precisamos insistir se quisermos viver numa sociedade verdadeiramente plural e onde há o mínimo de espaço para que cada um discirna sobre sua própria natureza humana.