Ao contrário do R.G.Sul e de Porto Alegre, que tem desconsiderado a vulnerabilidade acrescida de gays frente à epidemia de aids, o Ministério da Saúde está ciente da gravidade e buscou desenvolver uma campanha de mídia para jovens gays, com idades entre 13 e 24 anos. O outro grupo igualmente vulnerável é o de mulheres, com idades entre 13 a 19 anos, que também será foco da campanha, com peças específicas.
Segundo pesquisa que acaba de ser divulgada pelo Ministério os gays são um dos grupos mais vulneráveis à infecção pelo HIV. "A incidência da aids no público homossexual é de 226,5 casos para cada 100 mil, 11 vezes mais do que a taxa da população em geral, que é de 19,5 casos por 100 mil habitantes, explica Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Programa DST/Aids do Governo Federal.
"No caso dos jovens gays, falar sobre a sexualidade é ainda mais difícil do que entre os heterossexuais. Eles sofrem preconceito na escola e, muitas vezes, na família. Isso faz com que baixem a guarda na hora de se prevenir, o que os deixa mais vulneráveis ao HIV", explica Mariângela Simão, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
A campanha, lançada nesta semana pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério tem como slogan "Camisinha. Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre". O material é direcionado tanto para quem tem relação sexual estável quanto para relações casuais.
Pela primeira vez, nos dez anos de sua existência, a campanha terá dois momentos. No primeiro, que já está sendo veiculada inclusive no intervalo do Jornal Nacional, da rede Globo, as peças tratam do uso da camisinha. Na semana seguinte, após o Carnaval, outros materiais falarão sobre a importância de se fazer o teste de HIV quando se viveu alguma situação de risco.
A campanha foi criada pela agência Master. Assista ao vídeo
No vídeo, aparece uma camisinha que conversa com o jovem gay. A dublagem foi feita pela atriz Luana Piovani, (foto) que não cobrou cachê. Segundo Flavio Waiteman, vice-presidente de criação da Master, a camisinha falante surgiu da necessidade de colocar o preservativo como um elemento agradável na vida sexual dos jovens. "Queríamos algo que impactasse o público-alvo e que, ao mesmo tempo, fosse algo lúdico, já que esta fase é a mais lúdica do ser humano. É a fase dos sonhos, da imaginação", afirma Waiteman, explicando que a opção de ter a voz da Luana Piovani dublando a personagem foi para dar um tom de descontração na campanha e gerar mais proximidade com os jovens.